Está na marca do pênalti a votação da PEC 438 que trata do trabalho escravo. Vejam o caminho extenso percorrido por ela até o momento:
22.5.12
19.5.12
A revista Veja e a insustentabilidade das suas verdades fabricadas
Já faz algum tempo que tento mostrar aos meus interlocutores
as maracutaias da revista Veja, porta estandarte das publicações da Editora
Abril.
A TV Record e a revista CartaCapital têm demonstrado de
forma inequívoca que, além de praticar um jornalismo de péssima qualidade, a
publicação com sede na Marginal do Tietê tem enveredado pelo mundo do crime,
seja guiada pelo Carlinhos Cachoeira – hoje chamado de bicheiro e criminoso
pela mídia, mas até ontem qualificado como empresário do ramo de jogos pela mesma
– ou abrindo espaço para o seu sócio, senador Demóstenes Torres.
O impávido senador ocupou as páginas amarelas da porcalhona
para detonar o Congresso e seus pares.
A revista articula notas, notícias, reportagens
investigativas e outras artimanhas sempre de acordo com os seus interesses mais
sórdidos.
Isso a parte da mídia não comprometida com os interesses
corporativos do PIG (Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique
Amorim) tem mostrado com sobras.
Hoje tive acesso, por indicação dos amigos virtuais do Twitter,
a um artigo demolidor sobre as fraudes e interesses nebulosos da revistinha
mais lida do país, mas que é chamada de revista de fofocas pela imprensa
internacional.
Trata-se da análise de uma matéria de capa lidando com a delicada
questão dos agrotóxicos. O texto é assinado por Elenita Malta Pereira,
doutoranda em História na UFRGS. Primeiro li no blog Outras
Palavras e depois no Observatório
da Imprensa.
Leiam os trechos que selecionei (para ler a matéria na
íntegra basta clicar no nome das publicações apontadas acima):
A matéria “A verdade sobre os
agrotóxicos”, publicada na Veja (edição de 4/1/2012), revisita um tema que é
alvo de polêmicas, oposições apaixonadas e amplas discussões no Brasil desde os
anos 1970. No entanto, apesar de décadas de controvérsia, já no título, a
revista demonstra que pretende revelar a verdade sobre o assunto. A Associação
Brasileira de Agroecologia (ABA), em carta-resposta à Veja, considerou o
tratamento dado a um tema tão controverso como “parcial e tendencioso”,
apontando uma série de equívocos na reportagem.
(...)
Motivada pela divulgação, em
dezembro de 2011, de um estudo sobre contaminação de alimentos por pesticidas
promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) referente ao
ano de 2010, a reportagem da Veja começa questionando o uso da palavra
“agrotóxico”: o “nome certo é defensivo agrícola”. Segundo a matéria,
“agrotóxico” é um termo impreciso e carregado de julgamento valor; já
“defensivos” seria correto, porque esses produtos não servem para intoxicar o
ambiente ou o consumidor, mas para “defender” a plantação de pragas, insetos e
parasitas. Esse debate é antigo, construído ao longo de uma verdadeira
contenda, que foi protagonizada por ecologistas, políticos e representantes das
indústrias agroquímicas, desde os anos 1970. A própria nominação dos
agroquímicos determinava de que “lado” estava quem nomeava: de um lado
executivos das indústrias fabricantes que, obviamente, queriam vender seus
produtos, pesquisadores que recebiam financiamento dessas empresas para suas
pesquisas e funcionários públicos, todos trabalhando para “defender” seus
interesses. Do outro lado, entidades ambientalistas de vários estados,
professores universitários e pesquisadores preocupados com o efeito desses
produtos na saúde das pessoas e da natureza.
O termo agrotóxico, mais do que
portar um juízo de valor, está consolidado na legislação brasileira sobre o
tema, a Lei 7.802/89. A palavra já estava presente na primeira legislação
estadual, a Lei 7.747, publicada no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1982,
fruto de um amplo debate liderado por políticos, pesquisadores e ecologistas. O
ecologista José Lutzenberger considerou a publicação dessa lei uma “vitória sem
precedentes”, uma conquista da sociedade civil, inédita em diversos países. Por
outro lado, o termo “defensivos agrícolas” também não é isento de valor:
expressa que essas substâncias são boas, defendem a lavoura de pragas. No
entanto, o próprio conceito do que pode ser considerado praga é questionável,
depende do ponto de vista de quem está observando uma plantação. O que é praga
na agricultura que usa produtos químicos pode ser um aliado no controle natural
de insetos realmente prejudiciais, e até mesmo um indicador da saúde das
plantas para quem pratica agricultura ecológica.
(...)
A matéria da Veja faz afirmações
de forma leviana e irresponsável para a população leiga no assunto, passando a
impressão que os agrotóxicos não são tão perigosos assim. Ela diz que os
alimentos que lideram o ranking da ANVISA de forma alguma representariam risco
à saúde, que os resíduos estão dentro dos níveis seguros e que o uso de
agrotóxicos não autorizados não é prejudicial à saúde. Neste último caso, a
justificativa seria o alto custo para os fabricantes alterarem os rótulos,
indicando outros cultivos onde os pesticidas poderiam ser utilizados. Aqui,
podemos perceber mais uma vez que os interesses das empresas sempre são
relevantes e merecem ser preservados.
(...)
Consultando os arquivos dos
jornais de maior circulação do país, é possível constatar uma quantidade
impressionante de notícias sobre envenenamento e morte de agricultores, cuja
causa envolveu a aplicação de produtos químicos na lavoura. Há períodos em que
as ocorrências são diárias, envolvendo famílias inteiras, em cidades do
interior do Brasil. Casos de jovens que dormiram durante meses, sem perspectiva
de acordar, depois do contato com agrotóxicos; bebês que ficaram doentes por
causa do leite, já que a vaca que o fornecia comeu pasto contaminado com
pesticidas; crianças que morreram pela ingestão de água contaminada; agricultores
fulminados durante pulverizações aéreas sem aviso prévio, entre outros, são
exemplos nefastos de que o equipamento não é garantia de segurança total.
Artigo da Gazeta Mercantil (Porto
Alegre, 28/05/1975) relata que o consumo de pesticidas no Brasil aumentou dez
vezes entre 1964 e 1974 e questiona: “em que medida esse consumo teria sido
fortemente incentivado, provocando o uso indiscriminado e exagerado de
defensivos?” Se por volta de 1974 o consumo somava cerca de 74 mil toneladas
anuais, o que dizer das cerca de 1 milhão toneladas em 2010 (de acordo com
dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola)? O
estímulo ao uso intensivo desses produtos interessa aos fabricantes, pelos
altíssimos ganhos, mas, ao mesmo tempo, provoca prejuízos não totalmente
contabilizados ao ambiente e à vida humana.
(...)
Outra informação da matéria da
Veja é que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no registro de
agrotóxicos”. No entanto, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso
país é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Diversos
produtos vedados nos Estados Unidos e na Europa são comercializados livremente
aqui. Se o controle fosse mesmo rigoroso, o Brasil seria o maior consumidor
mundial de agrotóxicos?
A matéria merece ser lida na sua totalidade. Podemos
concluir que a Veja não pratica somente um péssimo jornalismo, destituído de
ética e valores humanísticos, mas também e principalmente faz uso da canalhice
pura e simples.
15.5.12
Mapa Social
O site Repórter Brasil preparou um material de excelente qualidade chamado de Mapa Social. Leiam abaixo a apresentação do trabalho:
Mapa Social:
uma outra referência sobre a realidade
Mapas
são úteis não apenas diante do desconhecido, mas também revelam novas e
distintas facetas mesmo em contextos aparentemente familiares. Como ferramentas
de orientação, não precisam, no nosso entender, se limitar à descrição das
características físicas e materiais de uma área determinada. Podem, portanto,
assumir um significado muito mais amplo, abarcando componentes sociais
relacionados aos seres humanos que fazem parte das cartografias.
Abundam
os exemplos de “guias” feitos a partir do ponto de vista dos “vencedores”, os
quais encontram facilidade para disseminar a sua versão sobre os fatos. As
reportagens que se seguem – e o conjunto de dados, estatísticas e infográficos
que as acompanham – procuram levar em conta aquelas e aqueles que enfrentam um
cotidiano de restrições e permanecem às margens dos processos do sistema
desigual e excludente. São pessoas e grupos desfavorecidos, tidos como
“empecilhos” ou como “efeitos colaterais” do “progresso” da gigante nação
adormecida.
Esta
edição inaugural, que está sendo apresentada em maio de 2012, pretende ser a
primeira de muitas. Enquanto outros panoramas e balanços sobre o cenário
nacional se esmeram em enfatizar as benesses do capital por meio do louvor a
empreendimentos econômico-financeiro-empresariais –, este Mapa Social assume
modestamente o intento de ampliar a perspectiva da sociedade acerca dos
impactos do badalado “crescimento” na vida dos “perdedores”.
Segue-se
aqui a linhagem de jornalismo e pesquisa que já se tornou marca dos trabalhos
da Repórter Brasil, apresentando grandes reportagens – uma por cada região –
baseadas em incursões e apurações de campo, complementadas e repercutidas junto
às instituições, companhias e personagens envolvidos.
Ancorada
na presença in loco da nossa equipe em todas as regiões brasileiras, o conteúdo
é composto de textos, vídeos e fotos, em depoimentos e registros obtidos a
partir das vivências e das trocas com as pessoas que encontramos nas
respectivas localidades.
São
enfocadas as temáticas trabalhista, agrária, socioambiental e dos direitos
humanos – com especial destaque para as abordagens relacionadas ao trabalho
escravo e a outras formas ilegais de exploração da mão de obra – sempre tendo
como referência a problematização do modelo de desenvolvimento dominante no
Brasil.
O
projeto traz ainda infográficos produzidos a partir da colaboração de parceiros
e apoiadores. São instituições que desenvolvem trabalhos de excelência em suas
respectivas áreas de atuação e que acreditaram e colaboraram com a iniciativa
do início ao fim.
As
parcerias são uma prova da relevância de iniciativas de caráter compartilhado,
mas também consistem em um reconhecimento de que o Brasil não deve ser “medido”
apenas pelo tamanho e crescimento da sua economia, mas também pelo investimento
na produção de conhecimento livre e crítico e, principalmente, na valorização
de sua gente.
Clique aqui para ter acesso ao trabalho completo.
1.5.12
Uma longa viagem
Filme com pré-estréia no Memorial da Resistência de São Paulo, veja notícias clicando aqui.
Em virtude da limitação de vagas, os interessados deverão retirar a senha com 30 minutos de antecedência.
PROGRAMA
05/05 - Sábado
14h: Exibição do filme Uma Longa Viagem
15h30: Debate com a diretora do filme Lúcia Murat e o ator Caio Blat
Mediação: Kátia Felipini Neves (Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo)
O filme - sinopse
A história de três irmãos, com a linha dramática dada pela história do caçula, que vai para Londres em 1969, enviado pela família para não entrar na luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. Contrapondo-se à entrevista e às cartas, os comentários em off da irmã, presa política que virou cineasta e viaja pelo mundo, num processo inverso ao do irmão que, de viajante livre, foi obrigado a enfrentar diversos problemas. Um documentário que trabalha sobre a memória, não só pela forma como é feita a investigação, mas também sobre o motivo do filme: a morte do terceiro irmão.
Fonte: Taiga Filmes
21.4.12
Nova revista de humor na praça
A revista Veja conseguiu se superar! Só pode ser brincadeira essa capa! Resolveram nivelar-se com o CQC e Casseta e Planeta; agora não jogam mais no time das semanais, logo terão programa na Globo, com direito a piadas racistas, sexistas e imbecilidades correlatas.
A credibilidade da revista há muito foi para o brejo, pelo menos para as pessoas que conseguem pensar com certa autonomia.
Descrédito, envolvimento com o banditismo, manipulação eleitoral...
Como ela ainda consegue tantos e incautos leitores?
13.4.12
Cadê a reforma agrária?
Votei na Dilma em 2010, assim como votei em Lula em 2002 e 2006. Ante as alternativas colocadas não havia outra possibilidade, mesmo por que, ao contrário de alguns companheiros da esquerda, eu não acredito na história do "quanto pior melhor".
Isso não impede que eu desenvolva uma visão crítica quanto ao governo de Dilma, assim como o fiz com os governos de Lula.
Quanto a este último, minhas maiores queixas eram quanto a Reforma Agrária e ao atraso nas reformas da educação. Apesar de considerar a gestão do ex-ministro Haddad como razoável, a demora e as falhas apresentadas foram bem intensas.e de difícil compreensão.
Já no governo Dilma as críticas continuam. Aproveito para reproduzir abaixo parte de uma excelente matéria feita pelo jornal Brasil de Fato:
E a reforma agrária, presidenta Dilma
O acesso a terra por camponeses no Brasil pouco avançou no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff (PT). Dados oficiais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) revelam que a presidenta conquistou em 2011 a pior marca dos últimos dezessete anos, contrariando a expectativa dos movimentos sociais do campo. Não bastasse isso, Dilma está bem atrás do que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram no primeiro ano de seus respectivos governos. Em 2011, 22.021 famílias conquistaram lotes em assentamentos, o que representa 51% da marca de FHC em 1995, quando 42.912 foram assentadas. Já em relação ao governo de seu antecessor, Dilma atingiu 61% do resultado de Lula, que em 2003 assentou outras 36.301 famílias.
Para ler o texto na íntegra basta clicar aqui.
9.4.12
Serra só tem espaço em São Paulo
O José Serra perde espaço a cada dia que passa, pasmem, dentro do seu próprio partido. Parece que sua sobrevivência política está condicionada à prefeitura de São Paulo, única concessão que lhe parece acenar o governador Geraldo Alckmin.
Na últimas presidenciais, quando perdeu mais uma vez para o PT e seus aliados, Serra deixou muitas arestas por aparar, fez inimigos dentro e fora do seu partido e abraçou a direita sem nenhum pudor. Hoje é um dos seus principais porta-vozes.
No plano nacional o livro A Privataria Tucana (clique aqui se você quer o pdf do livro) cuidou de bater o último prego no seu caixão político. Só mesmo o povo paulistano para lhe dar crédito e força eleitoral.
Vejam aqui o comentário de hoje do Bob Fernandes no Jornal da Gazeta, apontando a estratégia do Aécio Neves, grande opositor do Serra dentro do PSDB:
Na últimas presidenciais, quando perdeu mais uma vez para o PT e seus aliados, Serra deixou muitas arestas por aparar, fez inimigos dentro e fora do seu partido e abraçou a direita sem nenhum pudor. Hoje é um dos seus principais porta-vozes.
No plano nacional o livro A Privataria Tucana (clique aqui se você quer o pdf do livro) cuidou de bater o último prego no seu caixão político. Só mesmo o povo paulistano para lhe dar crédito e força eleitoral.
Vejam aqui o comentário de hoje do Bob Fernandes no Jornal da Gazeta, apontando a estratégia do Aécio Neves, grande opositor do Serra dentro do PSDB:
8.4.12
Que belezura de texto!
Nesta semana me bateu uma saudade doida e doída das montanhas de Minas Gerais e dos meus amigos lá de Varginha, cidade onde vivi minha adolescência e início da idade adulta.
Meu primo, Marcelo Mascarenhas me mandou via facebook bela canção do Lô Borges e do Toninho Horta:
Ao abrir o site da CartaCapital, faz alguns minutos, me deparei com esse texto:
‘Apesar da censura e opressão, éramos felizes’
por Beatriz Mendes
Quando a ditadura foi instaurada no Brasil, Márcio Borges, o segundo filho de uma grande família de 11 músicos, era ainda um menino. Em 1964, aos 18 anos de idade, ainda não escrevia versos para as composições de Milton Nascimento. Aliás, nem mesmo as próprias músicas existiam: “Bituca” – apelido de Milton na época – estava em um curso pré-vestibular, estudando para tentar uma vaga no curso de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais.
Na esquina da Rua Divinópolis com a Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, não havia clube algum. Sem saber que poucos anos mais tarde seria o responsável pelas estrofes de clássicos como Clube da Esquina, Um girassol da cor de seu cabelo e Os Povos, Márcio Borges preenchia seus dias com uma quantidade considerável de idas ao cinema, batidas de limão, conversas infinitas com amigos pelos corredores do Edifício Levy – prédio onde morava com pais e irmãos – e o cotidiano da Escola Estadual Central. No mesmo período, lá também estudava a hoje presidenta Dilma Rousseff.
Dilma e Márcio nunca foram da mesma classe. Os dois se conheceram por amigos em comum do colégio estadual. Na época, a instituição era um pólo político e cultural da capital mineira – por lá também passaram os irmãos Henfil, Toninho Horta, Fernando Pimentel entre outras figuras célebres da história do Brasil – como Getúlio Vargas, Fernando Sabino e ex-jogador Tostão. “Todo mundo que estudava no Central era engajado com causas sociais, com a política, fazíamos oposição à ditadura. Foi lá que se consolidou o movimento estudantil da cidade”, conta Márcio Borges.Clique aqui e leia essa delícia de texto até o fim.
De volta!
Agora é de verdade! Pretendo voltar a alimentar o blog com frequência justa, pelo menos uma vez por semana.
Assunto é o que não falta!
Um dos donos da moral, ética e dos bons costumes está atrás das grades. Faltam alguns outros é verdade, mas este primeiro nos causa um senso de justiça enorme.
Melhor ainda saber que junto com ele a revista asquerosa do Grupo Abril vai junto no embrulho.
As máscaras começam a cair, precisamos saber da velocidade dessa queda.
Assunto é o que não falta!
Um dos donos da moral, ética e dos bons costumes está atrás das grades. Faltam alguns outros é verdade, mas este primeiro nos causa um senso de justiça enorme.
Melhor ainda saber que junto com ele a revista asquerosa do Grupo Abril vai junto no embrulho.
As máscaras começam a cair, precisamos saber da velocidade dessa queda.
25.3.12
Racismo ambiental - higienismo
Essa dica recebi do amigo Prof. Ronaldo Mathias, via Facebook.
É uma matéria muito interessante, ainda mais para os meus aluninhos e aluninhas da 2ª Série do Ensino Médio, já que conversamos sobre higienismo por estes dias.
Brasília – A Constituição Federal estabelece que a assistência social deve ser prestada a quem necessite. Ainda assim, segundo servidores públicos do Distrito Federal, a atenção básica e a humanização do atendimento a moradores de rua enfrenta a oposição de muitas pessoas que não reconhecem em quem mora na rua um cidadão, detentor de direitos, entre eles, o de receber a devida atenção do Estado.
Ouvidos pela Agência Brasil, representantes das secretarias de Saúde e de Segurança Pública do Distrito Federal, além do presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Michel Platini, afirmaram que o preconceito, o desconhecimento da realidade e o medo levam muitos a verem os moradores de rua apenas como uma ameaça ou um transtorno. E a exigir do Estado soluções imediatas para um problema social complexo. Para os três, os crimes contra moradores de rua de todo o país, que chegaram ao conhecimento da imprensa e da sociedade nos últimos dias, são apenas “a ponta de um iceberg”.
Caso queira ler a matéria na íntegra é só clicar no título dela.
17.3.12
Chegar aos 50
Meio século! Jamais pensei em chegar a essa marca e cá estou, mas com corpinho de 49 e meio, como diz compadre Sérgio.
Neste ano estabeleci metas severas para navegar no pós-50.
As primeiras foram atingidas, faltam agora aquelas que tratam da saúde, portanto as mais difíceis.
Perder peso é essencial. Reconheço que perdi uns 500 kg ao longo da vida, mas eles teimam em voltar.
Para isso preciso parar de comer pudim. Uma alternativa seria exterminar a cozinheira de uma das unidades da escola. A mulher tem mãos divinas para os doces! É só lembrar e começo a salivar. Tentarei fazê-lo sem adentrar o mundo do crime.
Outro sacrilégio: afastar-me do pão e da batata, duas iguarias sensacionais, só comparáveis a um pouco de feijão misturado com macarrão, gelados é claro.
A nutricionista que me aguarde, serei um freguês contumaz!
Depois preciso controlar a maldita da diabete, isso sim é um 13º trabalho. Pena que o Hércules não o fez, senão pegaria a receita.
Também preciso ser mais assíduo com os amigos, eles me fazem uma falta danada. Farei um grande esforço para tomar uma cerveja sem álcool, só pelo prazer da companhia deles.
Organizar o escritório é coisa para julho, mas não entro o segundo semestre sem ele organizado e pronto para produzir. Escrever, mesmo essas bobagens com as quais torturo meus dois ou três leitores, higieniza minha alma e renova minhas energias para o cotidiano.
Então o blog receberá minha atenção com disciplina e constância, mas preciso contar uma história muito bonita, da minha família, que vale um livro, nem que seja para o deleite de alguns poucos parentes e amigos.
É assim que a gente se renova aos 50: pensando nos próximos 50.
16.3.12
24.2.12
23.2.12
Paulo Henrique Amorim racista? Claro que não...
Paulo Henrique Amorim fez um acordo na justiça para encerrar um processo que o Heraldo Pereira, jornalista da Globo, lhe movia em razão de ter sido chamado de "negro de alma branca" por PHA.
Quem domínio básico da língua portuguesa sabe o significado da expressão. Quer dizer que o "negro" em tela não se reconhece como tal, preferindo alinhar-se aos brancos, inclusive com posturas subservientes.
Sobre o ocorrido o jornalista Leandro Fortes, um dos melhores textos da imprensa brasileira, fez o texto que reproduzo abaixo:
Racista é a PQP, não PHA!
Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.
Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.
O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.
Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.
Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.
30.1.12
Ainda existe emoção
Tenho certeza de que 2012 não será o fim do ano, mas, às vezes, parece que tem uma galera que quer fazer um ensaio de fim de mundo.
A desocupação do Pinheirinho - em São José dos Campos - foi um exemplo desses ensaios.
Abaixo uma matéria da Record News.
Impossível não se emocionar.
26.1.12
Presidenta Dilma se solidariza com vítimas do Rio de Janeiro
Hoje no Blog do Planalto foi publicada a seguinte nota:
Uma ação ilegítima dos jagunços PMs, autorizada por juízes mentecaptos e comandados pelo fascista que governa o Estado, não foi condenada como deveria!
Isso significa apoio? É concordância ou omissão?
Pobres perderam suas moradias e seus pertences, foram agredidos e humilhados por homens armados.
Nenhuma palavra da presidenta Dilma! Isso me decepciona muito!
Presidenta Dilma manifesta solidariedade às vítimas de desabamento no Rio
A presidenta Dilma Rousseff manifestou solidariedade à população do Rio de Janeiro e aos familiares das vítimas do desabamento de três prédios do centro da capital fluminense. Em Porto Alegre, a presidenta afirmou que está em contato com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.
Seria muito pedir à presidenta que ele fizesse algo semelhante com relação a desocupação do Pinheirinho em SJC?“Eu tenho certeza que a população gaúcha se une a mim para se solidarizar com a população carioca. Eu acompanhei no dia de hoje com o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral todo o esforço que o município e o estado estão fazendo e transmiti a eles meus sentimentos e a esperança de que as pessoas sejam encontradas com vida.”
Uma ação ilegítima dos jagunços PMs, autorizada por juízes mentecaptos e comandados pelo fascista que governa o Estado, não foi condenada como deveria!
Isso significa apoio? É concordância ou omissão?
Pobres perderam suas moradias e seus pertences, foram agredidos e humilhados por homens armados.
Nenhuma palavra da presidenta Dilma! Isso me decepciona muito!
24.1.12
Pinheirinho: revolta e impotência
Fonte: G1
Fazia tempo que um episódio não despertava tantos sentimentos confusos como este do Pinheirinho.
Falta-me clareza para refletir, mas sobra dor para um desabafo.
É como se a tal desocupação coroasse a tragédia social na qual se transformou o governo do estado de São Paulo, um verdadeiro Tucanistão, como escreveu alguém no tuiter outro dia.
Outros estados de federação experimentaram alternância dos partidos na condução dos seus governos, menos São Paulo. É o mesmo grupo desde 1982, com algumas dissidências.
E não se trata de pragmatismo, mas sim de uma violência gratuita, de um desprezo pelos pobres e pelos indefesos que nos faz lembrar a ditadura militar.
É pura ideologia: defesa intransigente da propriedade privada, mesmo quando o proprietário é um notório salafrário, apoio a especulação imobiliária, enfim, NEOLIBERLISMO a toda prova!
São vários episódios, que marcam essa estratégia de castração da palavra e do pensamento.
Na USP começou pelo processo de escolha do Adolf Rodas e culminou com a ocupação policial do campus.
A limpeza da cracolândia mistura o desastre estadual com o municipal. Temendo uma ação do governo federal, adiantaram-se num show de violência, incompetência e desumanidade sem par.
Agora o Pinheirinho, em São José dos Campos.
O executivo, tanto o estadual como o municipal, aliado ao judiciário fez de um bairro pobre um lugar de terror e medo.
Não vou aqui contar a história, parte da imprensa o fez com competência.
Clique aqui para sentir um pouco do que foi o domingo de sangue de São José dos Campos. Aqui um brilhante texto do Rodrigo Martins, mostrando que o despacho do judiciário paulista orientava para o enfrentamento com a Polícia Federal. Aqui você pode ler um pouco da “justificativa” para a reintegração do Pinheirinho. Mais um pouco da história pode ser lida aqui.
Protegida pelos acordos entre executivo e judiciário a PM mostrou toda a sua selvageria. Bateu à vontade. Censurou a imprensa. Segregou e marcou com fitas azuis os moradores, talvez lição aprendida com os nazistas nos guetos da 2ª Guerra Mundial.
Abaixo links para alguns vídeos sobre o episódio:
Não sei como posso contribuir para que tais coisas não aconteçam.
Não sei o que fazer neste instante. Isso me entristece e exaspera.
17.1.12
Posso ser do contra?
Saiu um artigo no site da CartaCapital – leia aqui – criticando aqueles que criticam o BBB. É uma peça um tanto quanto sacripanta, pois embola e empacota coisas diferentes na mesma embalagem.
A crítica ao clichê é correta, nisso o texto está coberto de razão.
Às vezes, a forma como a crítica ao BBB“n” é feita lembra-me o machismo dos anos 70, quando os homens desancavam as novelas, mas sempre davam uma boa espiada. Ou quando a classe média nutria grande desprezo - com certo verniz intelectual - pela programação da TV, mas estava sempre por dentro de tudo, alegando que via, de soslaio, na TV da empregada.
Eu também não gosto de clichês, mas não suporto modismos e pouco apreço tenho pelas peças da TV aberta. Quanto aos shows "realísticos", começados com a Casa dos Artistas no SBT do Sílvio Santos, meu desprezo é maior ainda.
Não consigo compreender de onde vem a satisfação das pessoas, algumas até com boas doses de inteligência, em apreciar a vida dos outros, ainda mais uma vida encenada, coreografada e bizarra na maioria das vezes. E ainda tem gente que paga por isso nos canais de TVs fechados.
Talvez a psicanálise explique. Ou não.
Podem me chamar de chato, mas passo ao largo das discussões sobre isso, uma vez que já me manifestei com veemência contra esta merda, pouco me importa se houve estupros, bebedeiras ou bacanais.
Não assisto. Meu filho, na minha casa, não assiste.
Outro dia, respondendo a uma onda de reclamações no tuiter e facebook sobre o tema, sugeri alguns sites para baixar filmes de excelente qualidade. Assim as pessoas podem ocupar melhor o seu tempo e, ao mesmo tempo, evitar importunar as pessoas adeptas de nova modalidade de voyeurismo.
Se levarmos o texto de autoria do Matheus Pichonelli ao pé da letra, deveremos, a partir de agora, seguir todas as ondas, guiarmo-nos pelo rumo da boiada. Gostar de MPB não é bacana, bacana mesmo é curtir Michel Teló ou Restart. Frida Kahlo deve ser renegada como o diabo, talvez trocada por uma popozuda da hora.
Para o meu gosto pessoal a TV deveria cumprir outro papel, principalmente num país tão grande como o nosso e tão desconhecido da maioria de nós. A minha TV ideal teria pouco espaço para enlatados, mesmo que produzidos aqui, teria muita educação, música e dramaturgia, espaços para manifestações regionais, além de estimular a participação política e auxiliar nos cuidados com a saúde da população.
Por outro lado, as pessoas têm o direito de assistir, ler, ouvir o que bem entenderem, mesmo que seja a coroação da futilidade e da imbecilidade, desde que preservem o direito dos outros a opção diversa, mesmo que essa opção seja um Chico Buarque, Tarsila do Amaral ou Hitchcock.
13.1.12
Cais - Elis Regina
Ela é perfeita como intérprete. Sua voz vai até a alma, emociona, lava, leva aos céus. A música brasileira é muito rica em vozes femininas. Mas Elis Regina é soberba!
22.12.11
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