27.11.09

José Serra está de férias?

Estou atolado em correções, notas, diários e planilhas.

Final de ano para professor é assim mesmo!

Mas, no intervalo entre uma correção e outra, estico os olhos pelo noticiário da Internet. Eis que encontro singela notícia no UOL:



Serra chega ao Ceará, "casa" do rival Ciro Gomes, para dar palestra e conceder entrevistas

Kamila Fernandes
Especial para o UOL Notícias - em Fortaleza


Nome mais cotado do PSDB para disputar a Presidência em 2010, o governador de São Paulo, José Serra, chega hoje no Ceará para eventos na capital e no interior. Serra estará na base política do rival Ciro Gomes (PSB) não para tratar de qualquer questão de interesse do Estado que governa, mas para uma palestra a empresários, entrevistas a emissoras de televisão e um encontro do tucanato local no sertão cearense.

Sorridente, alegre e faceiro como ele só.

Pergunto-lhes: está o governador do Estado de São Paulo em férias? Tratando de interesses do Estado que ele governa? Quem está pagando o breve passeio de pré-campanha?
Confira a íntegra da notícia clicando aqui.
Só pra saber...

22.11.09

SARESP: o ápice da incompetência

O SARESP foi um completo engodo. Fracasso sob qualquer prisma analisado. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, comandada pelo ex-ministro Paulo Renato de Souza, omite a palhaçada e para isso conta com a contribuição substancial da grande imprensa.
Não fosse o blog NaMaria News e a gente não saberia coisas como as que seguem abaixo:
A narrativa fecunda em incidentes do SARESP 2009, a barafunda abissal, por enquanto, pode assim ser resumida:
  • Nem todas as escolas/classes/turmas, como preferir, receberam as provas corretamente. Entenda-se: no caderno de provas de português deve constar apenas questões de português e não de geografia ou matemática, que seriam em outro dia, por exemplo. Então o Miguelito está lá respondendo sobre a metafísica de uma charge sobre cortadores de cana e quando vira a página encontra gráficos, números e equações sobre venda de banana a quilo. Miguelito pensa que pirou ou as regras mudaram repentinamente ou ainda, que transformou-se em vidente. Mas não: foi erro do grosso mesmo, daquele mutirão dos 350 (ou mais) levado às pressas para a gráfica tapa-buraco do SARESP, a IGB - Indústria Gráfica Brasileira (Barueri), com os ônibus da JWA Transportadora Turística, contratada sem licitação em caráter de urgência. Problemas desta natureza aconteceram aos montes, em graus vários e diversas localidades paulistas.

  • Nem todos os gabaritos das provas chegaram, quando chegaram não correspondiam com as provas. Quer dizer, a Secretaria da Educação e a FDE disseram ter criado 26 provas diferentes, com 24 questões cada, para evitar o ocorrido com o ENEM, há pouco mais de um mês. Vai daí que cada prova tem sua respectiva folha de respostas - as questões são as mesmas, o que muda é a ordem das perguntas. Se o Miguelito faz a prova modelo 24, deve ter em mãos o gabarito 24, onde assinalará as opções de respostas que julgar corretas. Acontece que Miguelito recebeu o gabarito da prova 13. Entretanto, no modelo 24 a resposta da questão 1 é C, e no modelo 13 é A. Elementar a confusão em cascata a partir disto, no momento da correção. Vale ressaltar que muitas unidades escolares receberam apenas os gabaritos, prova que é bom, necas; é a lei da compensação.

Quer ler o relato completa de tamanha incompetência? É só clicar aqui.

21.11.09

Sobre ciclos que se encerram e outros que se abrem

Todo ano, por esta época, dá uma tristeza danada!
Temos que abandonar um grupo de alunos que concluiu a 3ª série do Ensino Médio.
Convivemos com eles por três anos e observamos passo a passo seu crescimento intelectual, emocional e físico.
Claro que nem tudo foi maravilhoso, muitos atritos, muita discussão, afinal este é o papel do adulto e do professor: dizer não, corrigir e apontar alguns rumos.
Se não desprezamos a inteligência e a sensibilidade dos jovens eles nos compreenderão, uns mais cedo, outros mais tarde.
Para minha alegria alguns deles que agora terminam este ciclo mudam de lista. Retiro o nome deles da minha lista de “Alunos” do MSN e incluo na lista de “Amigos”.
Quando olhos para as redes de relacionamento das quais participo e encontro alunos que vi por volta de 1993/94, hoje homens e mulheres, profissionais respeitados na suas áreas de atuação, pais e mães, sinto um orgulho danado.
Talvez seja pretensão de minha parte, talvez eu me dê muita importância, assim como aos meus colegas de profissão, mas não tem como se sentir um pouco responsável pelas histórias desses jovens.
Assim como dói o coração lembrar aqueles que ficaram pelo caminho.
Às vezes bate um desânimo com a estrutura educacional e com os caminhos que a sociedade toma, mas isso logo passa, basta um trabalho bem feito, uma pergunta que muda o rumo da aula e a alegria no olhar e no sorriso desta moçada.
Fica aqui registrado meu imenso carinho pelos alunos das terceiras séries do Pueri Domus – Verbo Divino, do ano de 2009.

20.11.09

Sistema de cotas para negros divide opiniões no país

Israel alimenta o ódio dia após dia

Tenho certeza de que virão vários comentários, anônimos como sempre, ofendendo-me e também ao povo palestino. As acusações são muito variadas, vão de anti-semita a referências sobre minha querida mãe.

Mas não é possível calar-me sobre o crime mais recente do estado de Israel: a expansão dos assentamentos judaicos na parte oriental de Jerusalém. É um crime e uma provocação contra o já sofrido povo palestino. Mais adubo para o ódio reinante.

Vejam a matéria da BBCBrasil sobre o caso clicando aqui e aqui uma outra matéria, mostrando como os israelenses privam o povo palestino do acesso a água.

Deparo-me agora com uma notícia no mínimo estúpida: Israel quer que os palestinos destruam o estádio construído em Ramala, alegando que o estádio repousa um tantinho em terras israelenses! Soa como ofensa a inteligência mediana. Clique aqui e confira a notícia na íntegra.

Não é possível tamanha passividade da comunidade internacional diante dos crimes do estado israelense. Esperava um pouco mais do senhor Obama neste caso.

16.11.09

Classe média

O mundo dos blogs sempre nos surpreende! A CartaCapital da semana indicou e eu fui conferir:
Classe Média Way of Life, simplesmente sensacional!

13.11.09

O mundo é uma cabeça

11.11.09

Esse entende de energia elétrica

10.11.09

SARESP cancelado, mas e a competência do secretario Paulo Renato?

O SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), marcado para acontecer nos dias 10, 11 e 12 de novembro de 2009, foi cancelado de surpresa.
O SARESP é uma avaliação de múltipla escolha, aplicada pela Secretária da Educação do Estado de São Paulo para alunos da rede estadual de ensino que estão na 2ª, 4ª, 6ª e 8ª série do Ensino Fundamental, e 3º ano do Ensino Médio. Neste ano seria estendido também para a rede privada.
A empresa contratada pelo Governo do Estado de São Paulo para produzir a avaliação não deu conta do recado. A Secretaria de Educação soube disso semana passada, mas tentou maquiar sua incompetência: organizou uma força-tarefa de funcionários públicos para tentar dar conta do recado no final de semana.
O expediente não funcionou.
O interessante é que não faz muito tempo que a arrogância do secretario Paulo Renato transbordou pelas páginas dos jornais, rádios e TVs, dando lições ao ministro Fernando Haddad de como organizar o ENEM. Ele fez o diagnóstico dos erros cometidos pelo atual ministro e ainda deu “aula” de como deveria ser feito o ENEM.
Agora não consegue organizar o exame estadual!
Lembremos que quando do vazamento do ENEM o Ministério da Educação demorou algumas horas para agir, cancelando a prova. A mídia, no seu conjunto, fez um esforço enorme para jogar a responsabilidade no Ministro, com apoio de Paulo Renato e a trupe tucana.
E agora Paulo Renato?
No web site da Secretaria de Educação encontramos uma nota tímida, publicada no final da tarde de ontem. Clique aqui e leia a tal nota.
Cadê a mídia e sua sagrada missão de informar? E aquelas continhas marotas, para sabermos de quanto foi o prejuízo para os cofres públicos e quem vai arcar com eles?

7.11.09

Mudanças no Mercosul

Infográfico publicado pela Agência Brasil:

6.11.09

Caetano é tão parecido com FHC

Caetano Veloso, aquele ex-compositor genial, e FHC, aquele ex-presidente que quebrou o Brasil três vezes ao longo de dois mandatos, resolveram tirar a semana para descer o sarrafo no Lula.
FHC delirou, como sempre e Caetano foi deselegante e grosseiro, defeitos que ele aponta nos outros, mas o macaco quando senta em cima do próprio rabo...
Rodrigo Vianna matou a pau o que acontece! Abaixo parte do texto:

"Toda essa gente se engana/ Ou então finge que não vê que eu nasci/ Pra ser o superbacana/
Eu nasci pra ser o superbacana/ Superbacana Superbacana / Superbacana Super-homem/ Superflit, Supervinc,Superist, Superbacana."

Toda vez que alguém me conta uma história, tenho mania de sair cantarolando. Algo se move em meu incosnciente, e traz à tona canções às vezes esquecidas há muitos anos.

Foi o que aconteceu, hoje, quando uma amiga me enviou o link, com a entrevista do Caetano Veloso ao "Estadão". A manchete na primeira página é: "Marina Silva não é analfabeta como Lula". Então, vocês imaginam o resto - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091105/not_imp461314,0.php

O mais engraçado é a foto interna, na capa do "Caderno 2". Uma amiga matou na hora, sem saber nem do conteúdo da entrevista: "mas, gente, Caetano tá a cara do FHC".

Aqui o link para a matéria completa.

4.11.09

Justiça e ideologia

Alguns políticos fizeram e desfizeram do patrimônio público durante toda a vida.
Luiza Erundina não é pertence a essa laia. Honesta, com uma honradez surpreendente para a média da nossa vida política.
Pois ela foi condenada!
Vejam a nota abaixo:

C O N V I T E

Amigos e ex-membros do Governo Democrático e Popular de São Paulo

Convidam para jantar em solidariedade, a ex-Prefeita Luiza Erundina.

Dia: 09 de Novembro de 2009, às 20h

Local: Grand Hotel Ca’D’Ouro

Rua Augusta, 129 – Consolação

R$ 100,00 (Contribuição mínima sugerida)

(estacionamento e bebida alcoólica não estão incluídos)

A Comissão Organizadora

“A fidelidade a um compromisso político exige coragem e ousadia”

Luiza Erundina

Histórico

A companheira Luiza Erundina está sendo executada judicialmente pela única condenação que obteve durante toda a sua vida política. Trata-se de uma Ação Popular ajuizada pelo cidadão Ângelo Gamez Nunes (processo nº 053.89.707367-9 / Controle 159/89 – 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo) quando Luíza era Prefeita de São Paulo, e visava obter a reposição aos cofres públicos de dinheiro utilizado pela Prefeitura com publicações jornalísticas nas quais a então Prefeita manifestou apoio à greve geral de 1989. A sentença entendeu que a matéria publicada não atendia ao interesse público e condenou pessoalmente Luiza Erundina a pagar o elevado valor de R$ 350 MIL REAIS.

Trata-se de decisão definitiva em razão da qual já foram penhorados o apartamento onde mora (seu único imóvel), seu carro e ainda 10% da remuneração mensal como Deputada. Mesmo assim, seu patrimônio é inferior ao total da dívida.

Como a ex-Prefeita Luiza Erundina foi alvo de enorme injustiça, com decisões que tangenciam o preconceito social, ideológico e político, é hora de nos unirmos para demonstrar nossa solidariedade.

Sobre heróis

O Pedro Bial acha que heróis são aqueles seres patéticos que aceitam o jogo de cartas marcadas, de péssimo gosto, chamado BBB.
Eu penso que não. Eles são tolos, que querem 15 minutos de fama e alguma grana no banco.
Meus heróis são outros. E precisam ter o devido registro na nossa história.
Clique no cartaz abaixo e acesse a página especial da Agência Carta Maior sobre esse grande brasileiro:

3.11.09

Exposição homenageia Marighella

31.10.09

Quem são esses imbecis?

Corre na Internet um vídeo de uma aluna - de uma faculdade aqui da Grande São Paulo -, que foi ofendida e ameaçada pelos colegas. Para sair do prédio precisou de escolta policial.
Qual o seu crime?
Usar uma minissaia!
Os alunos pararam as aulas para dar o show de machismo e provincianismo explícito.
O que leva centenas de jovens (?) a sair da sala de aula para preocupar-se com a vestimenta de uma pessoa? As aulas estavam tão interessantes assim?
Vejam uma matéria sobre os fatos:

30.10.09

Eu odeio esse tal de halloween

Não suporto os sinais de submissão cultural que externamos vez ou outra. Dentre minhas irritações uma se destaque: essa imbecilidade que chamam de “dias das bruxas”.
No meu tempo a gente comemorava o “dia das bruxas” no aniversário da sogra e só.
Agora as escolas se enfeitam e as crianças saem às ruas e condomínios com essa babaquice de “gostosura ou travessura”.
No meu endereço anterior submeti um grupo de crianças, entre 5 e 12 anos, a uma hora de aula sobre a importância do Saci Pererê.

E os adultos então? Parecem seres extraterrestres vestidos de imbecis, ou seriam imbecis vestidos de extraterrestres?
O pior é a pressão que as crianças recebem. Hoje meu filho de apenas 9 anos – incompletos – veio com a história de que sairia com os amigos para visitar os vizinhos. Não tive dúvidas: escondi todas as chaves! Não vai mesmo!
Prefiro um filho palmeirense a um que saia no dia das bruxas com essas fantasias de abóboras ridículas pedindo balas e doces.
Ano que vem vou preparar balas de pimenta malagueta!
Para quem não conhece a história dessa violação cultural veja aqui a origem da festa. Aqui uma versão diferente.
A cidade de São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, reagiu de maneira bem humorada a esta palhaçada. Veja aqui o que eles fizeram.

Texto publicado em 30/10/08.

29.10.09

Venezuela e Mercosul

Leiam o texto abaixo, publicado pela BBCBrasil. Importante "primeiros passos" para entender o papel da Venezuela no Mercosul.


Entenda o que muda com a Venezuela no Mercosul

Alessandra Corrêa

Da BBC Brasil em São Paulo

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira o protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL. A decisão ocorre depois de meses de discussões entre parlamentares governistas e de oposição.

A matéria já passou pela Câmara. Após aprovação na comissão, deverá ser votada no plenário do Senado.

O protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL foi assinado em 2006 e deve ser aprovado por todos os integrantes para que o país se torne um membro integral do bloco.

Argentina e Uruguai já ratificaram o ingresso da Venezuela no MERCOSUL. O Paraguai espera a decisão do Brasil para votar o protocolo.

Abaixo, a BBC Brasil responde a algumas perguntas sobre os impactos da entrada da Venezuela no MERCOSUL.

Que impacto a entrada da Venezuela no MERCOSUL deverá ter no bloco e nas relações com outros países?

Setores contrários à entrada da Venezuela no MERCOSUL afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos e que a adesão de seu país pode ser prejudicial ao bloco.

De acordo com analistas consultados pela BBC Brasil, o estilo "personalista" de Chávez pode ser motivo de temor em alguns países da região.

"É um tipo de governo que, de alguma forma, traz outro comportamento para dentro do MERCOSUL", diz Sônia de Carmago, professora da PUC-Rio. Segundo ela, enquanto Lula tem uma atuação "agregadora" em política externa, o presidente venezuelano é mais intempestivo e cultiva um "nacionalismo exacerbado".

José Alexandre Hage, professor de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, questiona ainda como o bloco irá agir diante de problemas que a Venezuela tradicionalmente tem, como os conflitos com a Colômbia.

"Se a Venezuela entra no MERCOSUL, de certa forma estamos corroborando os problemas dela. E a rivalidade que a Venezuela tem com a Colômbia, por exemplo? Como fica o bloco?", questiona.

O discurso antiamericano do presidente da Venezuela também é visto por alguns como um problema, e há o temor de que possa prejudicar as relações do bloco com os Estados Unidos. "Uma alta dose de Chávez no MERCOSUL pode aumentar uma ideologização antiamericana", diz Hage.

Há ainda o temor de que a presença da Venezuela prejudique as negociações para um acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia.

No entanto, o argumento dos defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL é o de que não se pode impedir a entrada do povo venezuelano no bloco devido à atual circunstância política e que deixar o governo Chávez isolado seria pior.

"O problema não é a Venezuela, todo mundo quer que a Venezuela faça parte do MERCOSUL. O problema é o governo Chávez", diz Georges Landau, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

A Venezuela deve se beneficiar da integração comercial com o MERCOSUL. De acordo com alguns analistas, também o bloco teria benefícios com o ingresso do país.

"Do ponto de vista de se criar um bloco político mais coeso, a entrada da Venezuela pode ajudar. De certa forma, os países que compõem o MERCOSUL são muito parecidos na essência, com governos de centro-esquerda, com traços de certo nacionalismo. O Chávez é um pouco mais denso nesse nacionalismo, isso pode dar ao bloco um pouco mais de consistência", afirma Hage.

O ingresso da Venezuela no MERCOSUL pode aumentar o poder de influência de Hugo Chávez na região?

Alguns analistas afirmam que o ingresso da Venezuela no MERCOSUL dará a Chávez mais poder de influência na região. O país, que já integra a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), ganharia um palco importante.

"Aumenta o grau de projeção de Chávez, tem muito mais espaço de articulação", diz Hage. "Ganharia um palco muito melhor que Unasul e Alba, que são expectativas, enquanto o MERCOSUL, apesar da crise, realmente existe."

Como os venezuelanos veem a adesão do país ao bloco?

Nesta semana, um dos principais opositores de Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, veio ao Brasil e defendeu a aprovação da entrada da Venezuela no MERCOSUL. O líder opositor afirma que o povo venezuelano não pode ser punido com o isolamento por causa do governo Chávez.

Além disso, há a expectativa de que, com a entrada da Venezuela, aumente o poder de pressão do MERCOSUL sobre o governo Chávez, para que cumpra pré-requisitos democráticos. Em uma audiência no Senado, Ledezma disse que a adesão da Venezuela ao MERCOSUL seria uma chance de "enquadrar" Chávez.

O Protocolo de Ushuaia, parte do Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, afirma que "a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração" do bloco. Em caso de não cumprimento das cláusulas democráticas, um país pode sofrer suspensão.

"A Venezuela é uma democracia em termos formais, mas tem uma forma de governo muito autoritária", diz Sonia de Camargo.

No entanto, alguns analistas afirmam que os resultados práticos desse tipo de pressão por parte do MERCOSUL podem ficar aquém do esperado. "Não há mecanismos para isso, porque o MERCOSUL é muito pouco institucionalizado", diz Hage.

Apesar das limitações, alguns defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL afirmam que é melhor ter o país no bloco, atendendo a algumas regras, do que independente e sem controle.

Qual o impacto econômico da adesão da Venezuela ao MERCOSUL?

No ano passado, a balança comercial do Brasil com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões, com superávit de US$ 4,6 bilhões para o Brasil.

Desde 2007, o Brasil passou a ser o segundo sócio comercial do país, ficando atrás somente dos Estados Unidos, principal consumidor do petróleo venezuelano.

A Venezuela importa 70% do que consome, a maior parte da Colômbia e dos Estados Unidos. Defensores afirmam que o ingresso do país no MERCOSUL traria vantagens econômicas e fortaleceria o PIB do bloco. Também estenderia o bloco para o norte da América do Sul, com influência na região caribenha e benefícios para os Estados da região norte do Brasil.

Para fazer parte do MERCOSUL, a Venezuela tem de cumprir critérios, entre eles a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente no comércio do bloco. Críticos afirmam que a Venezuela ainda não cumpriu esses critérios e não aceitou o tratado de tarifas comuns com terceiros países.

25.10.09

Em defesa do MST

A minha assinatura foi a de número 3589!
Com muita honra partilho deste manifesto lançado por nomes respeitados como Boaventura de Sousa Santos, Carlos Nelson Coutinho, Eduardo Galeano, Ricardo Antunes, dentre inúmeros outros. Quer acompanhar esta turma? Então clique aqui.
Escolho ficar com estes, sempre, em detrimento da Veja, Rede Globo, Folha de S.Paulo e o restante da corja.
E você?

Manifesto em defesa do MST

Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Sobre Honduras

Muitos dos meus alunos e das minhas alunas tem me feito perguntas sobre a situação de Honduras.
Nossa mídia é tão calhorda que não consegue prover a juventude, a parte interessada no que acontece no mundo e a sua volta, de informação de boa qualidade.
Como sempre recomendo a leitura dos blogs (listados aí ao lado), alguns jornalistas que merecerem o título desta linda profissão e, da mídia de maior circulação, a CartaCapital.
É desta última que retirei o artigo abaixo, importante "primeiros passos" para compreender o que se passa em Honduras.
Deleitem-se:
Lendas Urbanas sobre Honduras
Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

O discurso de colunistas na mídia conservadora recorre a argumentos pseudojurídicos para defender o golpe hondurenho como uma “destituição legal”, praticamente os mesmos usados na mesma mídia para defender a ditadura militar em 1964. Convém repassá-los, por absurdos que sejam.
Zelaya queria manter-se indefinidamente no poder.
O presidente planejava uma consulta sobre a celebração de um referendo a respeito de uma Constituinte juntamente com a eleição de seu sucessor. Se o resultado da consulta fosse positivo, serviria apenas como argumento em favor do referendo ante o Legislativo. Se o Congresso cedesse e o resultado do referendo fosse positivo, a Constituinte seria eleita no próximo governo e, mesmo que aprovasse a reeleição, Zelaya só poderia se candidatar em 2014.
Zelaya incorreu no artigo 239 da Constituição de 1982, que cassa o mandato e os direitos políticos, por dez anos, de quem propor reeleição.
O presidente não incorreu no artigo 239. Não propôs reeleição e sim um referendo sobre uma ampla Constituinte. Já Micheletti, deputado em 1985, propôs expressamente uma reforma constitucional para prorrogar o mandato do então presidente Roberto Suazo. Desistiu por pressão dos militares, mas nem ele nem Suazo foram punidos.
A deposição de Zelaya foi legal e regular.
Pelo artigo 313 da Constituição, a Suprema Corte tem jurisdição para processar e julgar o presidente, mas se cabia processo por abuso de autoridade por tentar rea-lizar uma pesquisa de opinião sem autorização legal, teria de ser dentro de procedimentos legais com direito de defesa e contraditório (art. 82). Não foi assim: na madrugada do domingo da consulta, os militares invadiram o palácio e expatriaram o presidente, o que é expressamente proibido pela Constituição (art. 102). A ordem de prisão apareceu depois do fato consumado, embora o procurador-geral e um dos juízes da Corte alegassem tê-la emitido e aprovado em segredo, na sexta-feira. Se fosse regular, deveria ser executa-da pela polícia, depois das 6 da manhã.
Os processos por suposta corrupção contra o presidente e integrantes de sua equipe foram abertos depois da expulsão, sem possibilidade de defesa. Ao compactuarem com tais ilegalidades, Congresso e Corte cometeram violações da Constituição muito mais graves que Zelaya. Nenhum governo reconheceu o golpe como legal – nem mesmo EUA, Israel e Taiwan, apesar de manterem seus embaixadores.
A Suprema Corte de Honduras é isenta e apartidária.
Antes do golpe, a comissão de direitos humanos da OEA já criticava Honduras pela falta de um Judiciário “independente e eficaz”. Larry Birns, diretor do instituto Council on Hemispheric Affairs, a classifica como “uma das instituições mais corruptas da América Latina”.
A opinião pública hondurenha é contrária a Zelaya.
Pesquisa Gallup dias após o golpe (30 de junho a 4 de julho) mostrou que 46% dos hondurenhos tinham opinião favorável a Zelaya e 44% desfavorável. Micheletti tinha 30% a seu favor e 49% contra. Outro indício de popularidade é que quatro candidatos que apoiaram o golpe foram à embaixada brasileira e se fizeram fotografar abraçando o presidente.
O Congresso hondurenho ratificou a destituição.
O Legislativo hondurenho não tem jurisdição sobre o assunto: a Constituição não prevê o impeachment, e a própria Suprema Corte julgou, em 2003, que o Congresso não tem o poder de interpretar a Constituição.
Hospedar Zelaya deflagrou a violência em um país que estava tranquilo.
Até meados de agosto, o G-16 (dos países que prestam ajuda a Honduras) contava oficialmente sete mortos, dezenas de presos e torturados e centenas de feridos (inclusive à bala) pelo regime Micheletti, que o Comitê de Defesa dos Direitos Humanos responsabilizava por um total de 101 mortes e execuções extralegais durante toques de recolher. A CIDH da OEA recebeu informes de centenas de detenções irregulares e ameaças e agressões a juízes que deram habeas corpus a manifestantes e oposicionistas detidos pelo regime. A presença de Zelaya apenas chamou a atenção da mídia e da comunidade internacional para o problema e forçou a ditadura a negociar.
O Brasil expôs o território nacional à invasão de Honduras ao hospedar Zelaya. A embaixada é parte do território do país- onde está localizado e não do país que representa, embora convenções internacionais resguardem sua imunidade de jurisdição, inclusive ante ações policiais e mandados de prisão.

18.10.09

Não suporto o horário de verão

Inferno!
Santo desconforto! Será que isso compensa mesmo?
Tenho minhas dúvidas quanto à eficácia dessa mudança de horário.
Segundo li no portal Terra (é só clicar aqui para ler também), o horário de verão pode reduzir a produtividade, além de causar outros males, a depender do indivíduo. Alguém já mediu o custo disso?
Segundo nos informa a Wikipédia a ideia brilhante foi de Benjamin Franklin em 1784, mas não conseguiu convencer ninguém da utilidade da proposta – ressalte-se que nem mesmo existia luz elétrica.
Já a Divisão Serviço de Hora nos diz que a ideia foi do britânico William Willett em 1907.
Com todo respeito a ambos, deveriam ter ficado quietos!
Ainda segundo a mesma fonte, o primeiro país a usar do artifício foi a Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial, tendo em seguida espalhado a “moda” para a Europa.
No Brasil o horário de verão foi utilizado pela primeira vez em 1931 e, pasmem, aplicado em todo o território nacional, mesmo naquela vasta porção que fica próxima a linha do Equador, portanto com ótima iluminação solar durante todo o ano.
Os defensores desse horário dos domínios das trevas usam argumentos como estes:
- 1% de economia de energia
- EUA e Europa também se utilizam
- redução significativa de consumo no horário de pico
Então por partes:
- será que os prejuízos (produtividade, acidentes de trânsitos, transtornos de saúde etc.) não são maiores do que este 1%?
- EUA e Europa estão fora da Zona Intertropical, portanto a diferença de insolação é substancialmente maior do que no nosso país, tal comparação não se justifica.
- se assim é, então por que não mudamos os horários dos diversos setores de atividade urbana, como comércio, banco, indústria etc., fazendo com haja um “descongestionamento” do tal horário de pico? Isso para sempre, e não apenas no horário de verão.
Eu não suporto tal mudança. Mais de um mês para entrar no ritmo novo e, assim que me acostumo, já está na hora de voltar ao ritmo antigo!
Além do tal horário de verão começar em plena primavera...

15.10.09

Editora Abril ganha processo contra Luis Nassif

Acabo de ler no Blog do Nassif que a editora Abril saiu vencedora, em primeira instância, de processo que move contra ele. A indenização é cabeluda: 100 salários mínimos!
Estou aqui na torcida para ele vire o jogo! Afinal, o bom leitor, sabe com quem está a razão. E não é com a "família civita", eu garanto!

Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara – fui absolvido.
Pode haver apelação nas duas sentenças.
Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.
Não me intimidaram.
Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.
Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.
Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.
Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.
Mas no campo jornalístico perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que uniu minhas filhas em defesa do pai.

12.10.09

O que o poder faz as pessoas

Segue um vídeo sobre o incêndio que destruiu ontem uma favela em São Paulo, mais uma.
A fumaça não havia sumido por inteiro quando nos deparamos com uma declaração assustadora da subprefeita da Lapa, a Soninha.
Outrora jovem política sensível as causas populares e ambientais, hoje é apenas mais uma burocrata insignificante. Embruteceu-se no jogo da polítca? Já era isso e a gente não percebia?
Veja o vídeo e preste atenção ao que ela fala:

11.10.09

Folha de São Paulo: um jornal irresponsável

O jornal citado no título publicou uma matéria em 19/7/09 dizendo que os infectados com a gripe suína chegariam, em dois meses, a 35 milhões de brasileiros, no mínimo!
Abaixo segue reprodução do texto.

Qual foi a calculadora que o senhor Hélio Schwartsman usou para chegar a tão brilhantes conclusões?
Lembro-me que muitos dos estimados blogueiros indicados aí ao lado esbravejaram e contestaram a matéria da Folha, com muita precisão e lógica.
Eu preferi esperar.
Agora posso dizer que a Folha mente e, além de fazê-lo descaradamente, é irresponsável, pois contribui para instaurar o pânico e desorganizar nosso precário sistema de saúde pública.
A propósito, nesta semana que passou fui diagnosticado com a tal gripe.
Pertenço ao grupo de risco – calma, não estou grávido, sou diabético e obeso – e me tratei em casa. Tamiflu por 5 dias, um antibiótico para combater a “manchinha” no pulmão, distância dos familiares e já estou quase inteiro.